
A Travessia (2024)
O Crossing do título também é isto: cruzamento. (...) a cidade grande que Akin retrata no seu filme não é (...) um sítio onde as pessoas vêm para se perder. É um ponto de encontro, onde as pessoas vêm para se encontrar a si mesmas e umas às outras.

A Besta (2023)
A audácia de tentar um salto de imaginação e aterrar um pouco à frente de qualquer debate actual sobre IA. De conferir a esta tecnologia um poder e um controlo fora daquilo que projectamos hoje. É aqui que as coisas ficam interessantes e o filme encontra o seu lugar.

A Doce Costa Leste (2023)
Todos procuram, como Lillian, algo do outro lado do espelho, alguma coisa fora da câmara de eco em que se meteram e que devolve sempre a mesma imagem.

A Quimera (2023)
A quimera de Rohrwacher não tem motivos para se encolher face a outras grandes obras. É um bicho que respira, caminha, e cospe fogo por mérito próprio.

Ficção Americana (2023) / Desconhecidos (2023)
O que estas duas personagens têm em comum é o facto de se sentirem presas a narrativas das quais se querem libertar.

Challengers (2024)
A transgressão de Guadagnino tem uma dimensão geométrica: a sobreposição de um triângulo amoroso num jogo de pares.

O Hotel Palace (2023)
É difícil não ver este filme como resultado da guetificação da carreira de Polanski.

Guerra Civil (2024)
Talvez seja injusto exigir demasiado a um filme que, ainda antes de começar a rodagem, já se havia tornado obsoleto.

O Mal Não Está Aqui (2023)
Os dois extremos que o filme propõe – a Natureza de um lado e o capitalismo do outro – acabam por ter um efeito desumanizador.

Máquina Fantástica (2023)
Um mosaico desigual, mas que acaba por encarnar as várias vertentes do nosso diálogo com as imagens que também documenta. Uma meta-selfie.

Culpado - Inocente - Monstro (2023)
A infância é um lugar complicado de regressar. É uma cidade onde já moramos, e também um aglomerado de monumentos à pessoa que fomos e deixamos de ser, a dada altura.

Amor em Sangue (2024)
Como o lado realista precisa do lado sonhador para se mover, o sonhador precisa de alguém que o consiga trazer de volta à Terra antes que seja tarde demais. Mas de mãos dadas, trabalhando em conjunto, podem ser gigantes.

Yannick (2023)
Enquanto dentro do teatro gritamos e discutimos, tentando impor narrativas uns aos outros, cá fora, prestes a invadir a sala com muito mais do que uma pistola, está o verdadeiro opressor.

Iron Claw (2023)
Não há lugar à expressão individual na “garra de ferro” em que Fritz imobiliza todo o clã Von Erich. Cada filho é como um dos seus dedos – permutável e sob o seu controlo.

Parece que Estou a + (2023)
Continuo à espera de um filme que consiga juntar os vários fios do debate sobre as guerras culturais, arriscando-se a ser cancelado pelos dois lados ao mesmo tempo.

Dias Perfeitos (2023)
Quando nos vemos por inteiro, com todas as nossas contradições, a única reação é mesmo rir e chorar ao mesmo tempo.

Os Excluídos (2023)
O milagre de Natal do filme de Payne será ver cada uma destas personagens lutar para sair do buraco em que a vida os meteu, com a ajuda uns dos outros.

Baan (2023)
Quando a cidade perde o centro emocional assemelha-se a algo de exótico, labiríntico, anónimo.

O Rapaz e a Garça (2023)
O que inicialmente poderia ser um diálogo a três vozes foi-se transformando num diálogo entre Miyazaki… e si mesmo.

Pobres Criaturas (2023)
Claramente A Criatura de Frankenstein não é fêmea. Caso fosse, o seu propósito nunca seria uma incógnita.