Visto Pela Última Vez
No cinema, na televisão, na internet ou em sonhos.
Memórias cinematográficas e não só.

O Crossing do título também é isto: cruzamento. (...) a cidade grande que Akin retrata no seu filme não é (...) um sítio onde as pessoas vêm para se perder. É um ponto de encontro, onde as pessoas vêm para se encontrar a si mesmas e umas às outras.
A audácia de tentar um salto de imaginação e aterrar um pouco à frente de qualquer debate actual sobre IA. De conferir a esta tecnologia um poder e um controlo fora daquilo que projectamos hoje. É aqui que as coisas ficam interessantes e o filme encontra o seu lugar.
Todos procuram, como Lillian, algo do outro lado do espelho, alguma coisa fora da câmara de eco em que se meteram e que devolve sempre a mesma imagem.
A quimera de Rohrwacher não tem motivos para se encolher face a outras grandes obras. É um bicho que respira, caminha, e cospe fogo por mérito próprio.
O que estas duas personagens têm em comum é o facto de se sentirem presas a narrativas das quais se querem libertar.
A transgressão de Guadagnino tem uma dimensão geométrica: a sobreposição de um triângulo amoroso num jogo de pares.